Reflexões e trabalhos realizados no âmbito do Mestrado em Educação, área de especialização em Educação e Tecnologias Digitais, da Universidade de Lisboa (2012-2014).

Educação e Tecnologias Digitais

Reflexões e trabalhos realizados no âmbito do Mestrado em Educação e Tecnologias Digitais.

Memória

question

A memória tem como funções essenciais o processamento, armazenamento e recuperação da informação. Assim, no processo de aprendizagem, destacam-se três momentos:

-Codificação, que consiste em transformar a informação recolhida através dos sentidos em representações mentais organizadas;

- Armazenamento, ou seja, a conservação da informação durante um determinado tempo;

- Recuperação que consiste na recuperação da informação previamente armazenada.

A memória humana é provavelmente o sistema mais poderoso e complexo do homem, a qual é composta por diversos subsistemas que permitem o processamento de informação proveniente do exterior, transformando-o em conhecimento.

A memória consiste num conjunto de mecanismos biológicos e psicológicos que permitem a codificação, o armazenamento e recuperação das informações a serem usados pelo indivíduo no momento ou até mesmo posteriormente.

Para que os conhecimentos armazenados na memória a longo prazo (MLP) possam ser utilizados posteriormente, obrigatoriamente deverá ocorrer antes um conjunto de processos que proporcionam o armazenamento prévio de conhecimentos na memória de trabalho, que associados aos conhecimentos da MLP geram a aprendizagem. Neste sentido, podemos constatar que os conceitos memória e aprendizagem estão intimamente relacionados.

Todos utilizamos a memória e todos conseguimos identificar os processos descritos. Queria apenas chamar a atenção da importância que é dada à memória na aprendizagem. Durante muito tempo, havia a sensação que a aprendizagem deveria ser realizada de todas as formas menos com recurso à memória. Era um tabu falar em memória, memorização ou repetição. Memorização ou mesmo repetição apenas era aceitável para procedimentos a armazenar na memória procedimental, nunca na memória declarativa. O aluno deveria atingir o conhecimento, interiorizando os conceitos, estabelecendo relações, de todas as formas menos com recurso à memória. É reconfortante que, para algumas aprendizagens e em certas circunstâncias, veja assumido que o aluno necessita memorizar. Dou como exemplo o caso da tabuada. Depois de interiorizar o conceito das adições sucessivas, não vejo outro modo de o aluno “reter” a tabuada senão com recurso à memorização. E, se na nossa vida diária, utilizamos estratégias de memorização e recuperação, por que não o fazer também na escola?

Em relação à teoria cognitiva da aprendizagem multimédia e à teoria da carga cognitiva, a memória desempenha um papel fundamental, nomeadamente a memória de trabalho ou de curto prazo. Ao preparar algum conteúdo multimédia, mesmo simples, assumo que nem sempre tinha presente estes princípios da aprendizagem multimédia nem sequer a sobrecarga cognitiva. Realmente, neste tipo de aprendizagem com recursos a materiais multimédia, é importante perceber como se faz o input e processamos a informação, nomeadamente na memória de trabalho.

Ainda sobre a memória (e o esquecimento, tema interessante), lanço algumas dúvidas. Apesar de, teoricamente, a MLP ser ilimitada, esquecemos em função da importância dos factos ou em função da distância temporal em que ocorreram? O que esquecemos primeiro, o menos importante ou o mais longínquo? Ou ambos em simultâneo? E como é feito esse esquecimento? Que processos utiliza o nosso cérebro para selecionar o que esquecer? Ou, finalmente, o que foi mal aprendido e/ou armazenado, será o primeiro a esquecer?

Conectivismo - parte II
Memória - Perspetiva Estrutural